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Trauma de Infância: Psicologia Explica

Trauma de Infância: Psicologia Explica

Você já deve ter ouvido a expressão “trauma de infância”. Mas será que trauma é necessariamente uma coisa da infância? E talvez você já tenha ouvido a expressão “ficou com trauma”, em referência a um trauma psicológico ou até a outras coisas bem mais simples. E tudo, bem, isso pode ser bastante confuso mesmo. Mas como a psicologia explica o trauma? Dediquei esta pergunta para ser respondida neste texto feito especialmente para você!

A Origem do Trauma

Trauma é uma palavra importada da medicina, principalmente da ortopedia. Mas de alguma acabou ficando mais conhecida pelo seu uso na psicologia. O trauma é um rompimento, uma quebra (fratura/ferimento), um estilhaçamento de uma cena que vivenciamos. E esta cena pode ter acontecido na infância, sim. Mas cenas da vida adulta também podem tanto reeditar e reproduzir sentimentos e emoções de um trauma na infância, como podem, por si só produzir novamente a noção de trauma. Que pode trazer respostas emocionais estressantes, flashbacks e até fortes dores de cabeça.

Trauma ortopédico nos osso ulna e rádio. A traumatologia é a especialidade da ortopedia que cuida dos traumas nos ossos. A psicologia importou o termo trauma tanto do grego, como do médico.

E Trauma na Psicologia? É só na Infância?

Entendemos na psicologia que no trauma existe uma desvinculação do afeto e de sua representação. Mas como assim? Afeto não é necessariamente relacionado a carinho. (O que é Afeto?), Ele é toda a ação alheia que pode nos afetar a gerar prazer e/ou desprazer psíquico, podendo também eliciar emoções positivas e negativas. Sentimentos bons ou ruins. Durante o trauma, “perde-se a conta” daquilo que nos afeta, sente-se o sofrimento, às vezes anos depois, igualmente ao momento em que aquilo aconteceu. Como se fosse uma parte de nós que evoluísse separadamente.

A cura do trauma é a representação. A representação é uma forma de referência, um signo de alguma coisa. A forma mais conhecida de representação é a própria palavra. Ela, por si só, além de comprimir os significados, os sons que se pode “ouvir” mentalmente, também comprime emoções, sentimentos, afetos e pensamentos. Por isso que algumas palavras podem trazer boas ou más lembranças: tem tudo a ver com as bases neurológicas da memória, da fala e da emoção, que andam interligadas. As situações traumáticas impõem tanto estresse psicológico que marcam o sujeito sem que este consiga entender o que aconteceu em seu mundo sentimental. E isso pode ocorrer em qualquer fase da vida.

Trauma de Infância: o que diz a psicologia?

O trauma na infância é pior por dois motivos: 1) muitas conexões neuronais são formadas ali; 2) a criança ainda não desenvolveu respaldo linguístico e psicológico para falar sobre o trauma

Ainda sobre bases neurológicas, no texto sobre o afeto, é possível verificar que a psicologia e a neurociência dizem que a infância é o momento onde as conexões neuronais se formam em grande volume num curto período de tempo. Sendo o período da vida responsável muitas vezes por boa parte de como enxergaremos o mundo, já que é ali definida boa parte da estrutura do sistema nervoso, à maneira que for estimulado. Por isso que para a psicologia um trauma na infância tende a ser mais impactante. Mesmo que a neuroplasticidade nos permita reeditar formas vivenciar o mundo, leva-se muito mais tempo para construir conexões na vida adulta do que levou-se na infância.

Definição de trauma?

Para a psicologia, o trauma de infância ou não pode ser explicado como uma situação de estresse emocional tão forte que nos deixa sem poder falar, sem conseguir representar o que sentimos a partir daquilo. Ademais, às primeiras tentativas de fala os sentimentos são revividos antes da chegada das palavras. Em forma de flashbacks, estresse emocional, reações no corpo como choro, tremedeira e dissociação (o famoso “branco”).

No trauma a janela psicológica de sentimentos é tão estreita como a janela linguística de palavras. A infância é possuidora de menos palavras que a vida adulta, é por isso que a psicologia a considera um período muito mais sensível a tais vivências.

É por isso que, não raramente, quem o viveu e ainda não o elaborou, consegue falar muito pouco, ou sequer consegue falar sobre o evento. Como se as partes ainda não tivessem coladas, como se a ferida ainda não tivesse cicatrizado; como se só se lembrasse um pouco e este pouco, sozinho, não faz sentido, mas faz sentir muita angústia. Portanto, assim como a angústia, o trauma vai carregar o vazio das palavras. E conforme muita gente percebe, a psicologia também confirma que o trauma na infância é pior: uma vez que além de ter suas principais conexões neuronais formadas ali, uma criança tem muito menos recursos psicológicos e linguísticos para expressar o que sente/ sentiu a respeito da situação traumática do que o adulto.

Deve-se Falar sobre?

Quem passou por uma vivência ou experiência traumática tende a, por defesa ao estresse psíquico da situação, evitar repetí-la, mesmo que em forma de palavras. Mas ao mesmo tempo não é incomum que, quando esta pessoa se sente pronta para falar alguma coisa a respeito, sofra “mini repreensões” a respeito da fala sobre aquele assunto. Em geral por motivos de tanto seus ouvintes se angustiarem perante o assunto e quererem evitá-lo, quanto considerarem (a pessoa e/ou o ouvinte) aquele assunto um tabu a nunca mais ser mencionado, na crença de que desta forma irá haver melhor elaboração. Contudo, será que isso procede?

A angústia é o vazio que precisa ser preenchido. A psicologia entende que o trauma e a angústia podem andar de mãos dadas.

É como que as pessoas não quisessem falar sobre isso. Que falar sobre aquilo se torne, preventivamente, um tabu. É claro que é preciso respeitar o tempo da pessoa, mas falar, narrar, representar para ressignificar é o que ajuda a superar os traumas. Uma experiência traumática pode deixar marcas profundas na vida de uma pessoa, sobretudo porque a tendência mais natural é abraçar o isolamento e o silêncio. E o silêncio é o prato preferido da angústia.

E como se superar?

O recomendado é: falar do problema como estratégia para iniciar uma recuperação, ou seja, falar dos sentimentos que ele provoca, de causas e consequências. A recuperação é a construção de uma narrativa completa: onde os personagens têm nome, há um local, uma linha do tempo e um conjunto de sentimentos e emoções envolvidos. Justamente porque a ausência destes elementos poderá servir de fonte para a angústia e/ou revivência do fato. Tudo isso para poder virar página e avançar em um novo roteiro.

Neste vídeo, de maneira metafórica, é possível perceber como o trauma se inscreve no corpo. E à medida em que ele se inscreve, ele se finda quando a gente o descreve e, finalmente o escreve para poder falar.

Nesse caminho não há uma fórmula mágica, cada pessoa responderá ao trauma de uma forma particular, sendo a superação mais ou menos difícil, por isso a ajuda profissional é importante para guiar os esforços e para ajudar a dimensionar o sofrimento.

O fala, a língua, a linguagem como um todo têm um papel reconstituinte. Dos estilhaços a língua é a cola. Da fratura, do trauma: a língua é o pino, a placa e com sorte apenas o gesso ou a tala.

Existem fases de superação de um trauma. Mas um ponto crucial de melhora é observado quando a pessoa consegue falar sobre o evento sem mobilizar, com aquela intensidade que acontecia antes, o conjunto negativo de emoções e sentimentos de lá. Pois então: se você já ouviu que as palavras têm poder, saiba que esta frase está absolutamente correta.

Se você procura atendimento psicológico para um trauma ou uma vivência que está com dificuldade de superar, dê o primeiro passo. Basta clicar aqui.

Texto escrito pelo Psicólogo Caio Cesar Rodrigues.

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Sobre o Autor

caiocesarpsi administrator

Caio Cesar Rodrigues de Araujo – Psicólogo – CRP SP/139621 ccesarpsi@gmail.com

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