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Efeito Psicológico da Pandemia

Efeito Psicológico da Pandemia

No dia 11 de Março de 2020 foi decretada a Pandemia de Covid 19. Pouco tempo depois inicou-se pelo mundo todo quarentenas e lockdowns em diversos países e diversas cidades. Não demorou muito que os psicólogos começassem a perceber em seus consultórios dois fatores: 1) aumento da demanda de pacientes; 2) agravamento dos quadros já presentes em pacientes antigos, principalmente nos casos de depressão, ansiedade, pânico, hipocondria e TOC. Contudo, as contingências a respeito do impacto psicológico deste momento único da história são mais do que estas. Falarei um pouco mais neste texto. Em suma: qual é o efeito psicológico da Pandemia? E o que podemos fazer para diminuí-lo?

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O que é uma Pandemia?

A ausência de uma vacina durante a Pandemia pode ter como um de seus efeitos psicológicos a ansiedade na população.

Antes de falar uma pouco mais, definições são sempre importantes. Portanto, irei direto ao ponto: Pandemia é uma quando o foco de uma doença perde controle a ponto de estar presente em vários continentes. É, então, o estágio maior de descontrole que uma doença pode chegar a nível mundial.

O que é quarentena?

Durante a Pandemia, a recomendação para efetivar a quarentena era que muitas empresas adotassem o trabalho em casa/remoto (home-office) e que as pessoas adotassem um distanciamento social, evitando ao máximo sair de casa senão para hospital, farmácia e mercado. Entre os efeitos psicológicos da pandemia, relacionados a este tipo de isolamento está a Depressão.

A quarentena é uma palavra que deriva, etimologicamente, do número 40 (quarenta). Sendo, portanto, uma alusão a um período de resguardo, de abstinência de algo e até como um período de transição. Ademais, não é um termo tão estranho: uma das mais comentadas quarentenas do mundo ocidental é quaresma, que possui o mesmo radical etimológico, o período entre o carnaval e a páscoa. Então ela se tornou a palavra usada para representar o isolamento, sobretudo para enfatizar o distanciamento social.

Durante a quarentena, em muitas cidades, estados e até países, um dos poucos lugares que podíamos frequentar era o Supermercado. Assim como a partir de certo momento passou-se a à obrigatoriedade o uso de máscaras em boa parte dos ambientes.

Durante a Pandemia a quarentena foi uma estratégia dos países, estados e cidades, sob recomendação da OMS, para limitar os serviços disponíveis, focando em diminuir o número de pessoas em circulação e, portanto, aumentando o distanciamento social — visando não sobrecarregar os sistemas de saúde, como aconteceu na cidade de Manaus. Após o colapso nacional do sistema de saúde, países como Itália e Espanha adotaram uma medidas mais drásticas ainda: a do chamado lockdown, onde andar na rua sem comprovação de efetiva necessidade era expressamente proibido. Passível de multa e/ou detenção.

Qual é o efeito psicológico da Pandemia?

Não pode ser sair de casa e conviver com o sentimento de morte por todos os lados são dois fatores que agravam a maioria dos efeitos psicológicos da pandemia.

Durante estes 5 meses e três dias (e contando) de Pandemia foi possível observar alguns efeitos diretamente em consultório. Contudo, tanto a história como a experiência nos aponta que o impacto pode ser maior nos próximos meses e nos próximos anos. Numa situação desta, a terapia, a análise ou o atendimento psicológico (não importa como você chama) devem ocorrer, inclusive, de maneira preventiva. Ou seja: o ideal é não esperar uma forte manifestação sintomática e/ou o último momento, onde já parece não se aguentar mais.

Toda mudança cultural, principalmente as mais drásticas, produz efeitos psicológicos. Durante a pandemia a orientação do distanciamento social era que as pessoas não se abraçassem ou se cumprimentassem dando beijos no rosto ou até apertando as mãos. Tanto isso, como os supermercados se tornando um dos pouquíssimos lugares permitidos de se frequentar, assim como o uso de máscaras, pode ter um forte efeito psicológico nas pessoas durante a pandemia.

Os Principais Efeitos Psicológicos de uma Pandemia/Quarentena

Nos anos de 2002 e 2003 o mundo viveu uma epidemia de um outro tipo de coronavirus, que ficou conhecido com SARS, por também causar a Sindrome Respiratória Aguda Grave. Na época a SARS deixou quase 800 mortos e muitas pessoas com sequelas de intubações.

Ainda assim, um estudo que durou 4 anos, foi publicado na revista East Asian Arch Psychiatry, em 2014, apontou que:

  • 42.5% dos sobreviventes da doença em Hong Kong apresentaram pelo menos um Transtorno Mentais/Psiquiátrico que era diagnosticável.

Destes 42,5%, outros dados foram obtidos:

Além disso, num outro estudo que durou 3 anos, foi apontado que sobreviventes da SARS sofriam de:

Você pode baixar o .PDF completo do Estudo clicando aqui.

Todavia, chegou o momento de comentarmos além da classificação psiquiátrica dos transtornos e sim da experiência humana por trás destes.

Qual a causa deste efeito psicológico?

Os profissionais de saúde e pessoas quem acompanham familiares no ambiente hospitalar estão mais sujeitos a sofrer algum efeito psicológico diretamente relacionado à presença de um ambiente que remete à contaminação, morte e estresse.

Transtorno do Estresse pós-traumático

O Transtorno do estresse pós-traumático, por exemplo acontece após situações de muito estresse emocional simultâneo, mais comum em cenas onde há muitas mortes ao mesmo tempo. Ex: guerras, atentados. Este é o tipo de transtorno que mais acometeu os profissionais de saúde. Médicos e profissionais da enfermagem, por exemplos, que se deparam com número elevado de mortes em um curto período de tempo. Uma das características do T.E.P.T. são flashes das cenas vivenciadas que podem até ser confundidos com a realidade. Portanto, os profissionais de saúde, cujos mais se depararam com a cena de pessoas morrendo, podem sofrer de muitos transtornos mentais, principalmente TEPT.

A Pandemia de Depressão

Os idosos fazem parte dos grupos que têm alto risco de morte perante a infecção de Covid-19. Por conta disso, o distanciamento de familiares, muitas vezes para a proteção dos próprios idosos, provoca a sensação de abandono, solidão e tristeza. Isso, o luto de amigos e familiares da mesma faixa etária e sobretudo a limitação das atividades que lhes traziam prazer, pode favorecer casos de depressão na terceira idade. Os idosos parecem sentir mais fortemente o efeito psicológico desta pandemia.

O isolamento e o tão comentado lockdown pode ser um dos grande propulsores de episódios depressivos, uma vez que a pessoa terá pouca ou nenhuma possibilidade de interação com pessoas com quem desenvolveu afetos. A tecnologia pode ser tanto um fator de alívio, como também de estresse.

Se uma pessoa que está vivendo um luto intenso, por ter perdido familiares recentemente, por exemplo, perde o seu leque de possibilidades de vivenciar a parte social que também envolve a elaboração deste luto: (viajar, visitar familiares e amigos para falar sobre, ter acolhimento físico, etc.) e/ou perde seu emprego em função do fechamento de empresas que acompanhou a pandemia, e ainda não consegue sair para conhecer pessoas após o fim de um relacionamento ou ainda fazer exercícios físicos em uma academia ou parque: que tipo de prazer ela irá experienciar na vida? E o principal sintoma da depressão é a perda do prazer nas atividades.

Apesar de eu ter usado um exemplo extremo, onde este conjunto de coisas dificilmente aconteceria ao mesmo tempo: a Pandemia torna ele muito mais possível e menos improvável. Existe uma grande chance de vivermos uma pandemia de depressão maior ainda, sobretudo como um efeito psicológico da pós-pandemia.

O Efeito Ansiedade

O pensamento recorrente em um futuro catastrófico é um dos sintomas da ansiedade. Durante a pandemia a catástrofe no futuro se torna real. Ademais, com um futuro incerto até às autoridade e cientistas.

Por fim a ansiedade é talvez um dos Transtornos Mentais e efeitos psicológicos mais frequentes durante esta pandemia.

Com base na observação clínica própria e de pares, com base na pouca literatura sobre o assunto, mas aliando isso aos dados do passado, separei algumas características do pensamento e do comportamento ansioso durante a pandemia são estes:

  • Pensamento constante na própria morte e na de pessoas próximas;
  • Sensação constante de poder se contaminar a qualquer momento;
  • Estado de alerta elevado, com excessiva preocupação em manter o distanciamento social ao ir ao mercado, farmácias e até ao receber entregas, pegar elevador, etc;
  • Preocupação excessiva em lavar as mãos;
  • Medo de sair de casa;
  • Medo de locais onde pode haver aglomeração de pessoas (o que antes era conhecido como agorafobia, tem hoje função preventiva!);
  • Entre outros.

Um efeito psicológico positivochamado esperança

Pandemia conseguiu algo inédito: legitimar uma lista de comportamentos descritos em manuais de saúde mental. Portanto: atos que antes eram descritos como sintomas de transtornos mentais, hoje são vistos como ações recomendadas pelos órgãos de saúde.

A mudança de comportamento, o afastamento das pessoas que amamos e a perda da liberdade. Esta é a melhor resposta dentre tantas outras dadas ao longe deste texto. Se nascemos, crescemos e evoluímos através do afeto, então sofremos a partir de sua falta. A falta do afeto é o maior efeito psicológico da pandemia.

Como nos disse Paulo Freire uma vez: esperança não vem do verbo esperar e sim do verbo esperançar — que significa agir, levantar-se; nunca desistir! O pequeno conjunto de ações: realizar uma dieta, fazer exercícios em casa, escrever um livro e ler outros, criar um blog/site; e principalmente fazer terapia. Conseguir pensar e trabalhar de maneira saudável nas perspectivas de futuro é um dos maiores alicerces do presente.

Portanto a dica é: devemos usar a abusar disso nestes tempos.

O estado de esperança não se mantém sozinho. Em verdade, ele é bem difícil de ser mantido, sobretudo em tempos como estes. Contudo, ele pode produzir um norte muito forte à não desistência e, consequentemente, a melhora de pessoas em situação de grave transtorno mental.

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Texto escrito pelo psicólogo Caio Cesar Rodrigues.

Sobre o Autor

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Caio Cesar Rodrigues de Araujo – Psicólogo – CRP SP/139621 ccesarpsi@gmail.com

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